Sábado é dia de…

IMAGINAR!… Bom fim de semana e bons preparativos para o Natal.

Lori Preusch* : Whimsical Santa and Sleigh in bibliocolors.blogspot.pt

 Imagem: Lori Preusch, Whimsical Santa and Sleigh in bibliocolors.blogspot.pt

«Há erro?», a solução

in www.idealista.pt

in www.idealista.pt

Existia erro, sim. Na verdade, extra é um adjetivo, com forma no plural, extras. Assim, terá de estar em concordância com o nome a que está ligado; deveríamos, então, ter «horas extras» e não «horas extra».

Incorreções como esta são denominadas «erros frequentes»; já se instalaram na língua e ninguém os questiona. A Letras num Papel faz revisões de textos e ajuda-vos a, precisamente, afinarem a vossa escrita. Contactem-nos!

Bom fim de semana!

Há erro?

A Letras num Papel também faz revisão de textos. Peçam um orçamento e não se arrisquem… Aqui fica uma amostra do que por aí circula sem ninguém imaginar que está errado.

Há erro neste rodapé?

rodapé

Desta vez, um conto de Natal!

Ilustração de Iwona Cala, em http://www.coroflot.com/cala/illustrations-fo-children-books

Ilustração de Iwona Cala, em http://www.coroflot.com/cala/illustrations-fo-children-books

Agradeço a oportunidade que a escola da minha filha, Estrela do Mar, me deu de poder contribuir para a festa de Natal das crianças. Escrevi este conto, inspirado no que aconteceu nas semanas que antecederam o dia de ontem.

Lembro que também me podem encomendar os vossos contos de Natal para oferecer na noite que se quer a mais ternurenta do ano!

 

Era uma vez uma escola de onde se conseguia cheirar o mar. Todavia, nas últimas semanas, o aroma do oceano era acompanhado de um outro, que tão bem conheciam: o aroma do Natal! Os sinais que o anunciavam não deixavam qualquer dúvida. Vejamos, primeiro, o Dia, cansado do longo verão, ia embora mais cedo e, por essa razão, a sua colega, a Noite, chegava antes; depois, chegou o Frio, sempre mal disposto e rabugento, que, acompanhado pelos seus grandes amigos, a Chuva e o Vento, logo obrigou todos a vestirem os seus casacos mais quentinhos; finalmente, o maior e mais esperado sinal apareceu uma manhã quando já todos estavam prontos para começar o seu dia de escola: fazendo grande alarido, tocou à campainha a adorável Dona Festa!

Começou rapidamente os preparativos para a celebração mais importante do ano. Distribuiu tarefas pelos meninos; uns cantam, outros dançam, outros ainda representam uma peça de teatro. Com a ajuda de todos, Dona Festa tinha conseguido organizar um espetáculo de sonho!

Porém, na escola de onde se conseguia cheirar o mar, nem todos estavam tão felizes como a Dona Festa e os seus meninos. Na verdade, a Senhora Varicela já tinha um plano que acabaria com as gargalhadas das crianças. Pequenas borbulhas, inchadas e irrequietas, em pouco tempo encheram as crianças de comichão e todos de preocupação.

A Dona Festa voltara a organizar as tarefas de todos, mas, quando os problemas já pareciam resolvidos, logo a Senhora Varicela fazia das suas e, zás!, tudo se virava de pernas para o ar… A Dona Festa já começava a desanimar e chegou mesmo a temer que fosse este o ano em que, pela primeira vez, a escola de onde se conseguia cheirar o mar não tivesse o seu espetáculo de Natal.

Quando soube deste desânimo geral, o Senhor Entusiasmo não pôde esperar mais. Correu para a escola e, sem hesitar, lembrou a todos a importância do que estavam a preparar.

– Mas, Senhor Entusiasmo, tínhamos um grande palco, com muitas luzes e inúmeros adornos. Agora, com tantas crianças em casa por causa da Senhora Varicela, não podemos fazer o que tínhamos planeado – disse a Dona Festa, com os olhos cheios de lágrimas.

– É verdade, Dona Festa, não conseguimos fazer algo tão grandioso como tinha pensado, mas um bom espetáculo não tem de ser grande, tem de ser verdadeiro. O espírito do Natal está no que é feito com amor, seja grande ou pequeno – disse o Senhor Entusiasmo.

A Dona Festa voltou a sorrir. A sua imaginação já voava outra vez. Ia e vinha, falava com todos e ouvia o que tinham para lhe dizer. Todos colaboravam: o Senhor Empenho deu uma ajuda, a Senhora Determinação passou por lá, tal como a Dona Amizade.

No dia assinalado, à hora marcada, tudo estava pronto. A Dona Festa estava radiante, olhando para as crianças, felizes. A Senhora Varicela não tinha ganhado e não fora este o ano em que não houvera festa de Natal. Tal como dissera o Senhor Entusiasmo, interessava mais a verdade com que fazemos alguma coisa do que o seu tamanho.

Que o Natal esteja em vós!

O Euromilhões.

Her mind & the sea de Rachel Sierra in https://www.etsy.com

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Já sabem que a Letras num Papel escreve histórias, tantas quantas vocês desejarem, sobre o tema que quiserem. Hoje, imaginemos como seria ganhar o Euromilhões e, acreditem, que dá uma boa história… Encomendem a vossa, contactando a Letras num Papel!

«13, 22, 36, 39…» Catarina não queria acreditar. Olhava atónita para o boletim que segurava nas mãos enquanto ouvia os números. Estavam todos naquele quadradinho que a sua neta lhe tinha preenchido, à pressa, na terça-feira passada. A porta da rua bateu. «Então, ‘vó? Ganhaste alguma coisinha?» «Acho que ganhei… tudo!» A rapariga ficou branca. «A sério?!»

Dois meses passados, foram a Lisboa levantar o prémio. A cifra era imensa. Tantos milhões. O que faria com tanto dinheiro? «Vamos, ‘vó?» «Sim, vamos… É agora que passamos por lá?» «Sim, ‘vó, vamos lá agora.»

Dentro do carro, apreciava as pessoas nos passeios, nas suas vidas, sem imaginarem sequer que a dela tinha levado aquele tremendo abanão. Tinha pedido à neta que a levasse ao mar. Em tantos anos de vida nunca tivera tempo de apreciar o oceano com calma, de o cheirar, de lhe sentir o frio da água e do sal misturados. Fora o único desejo de nova-rica que apresentara: «levem-me ao mar».

Demorou-se, na areia, sentada. Era outono, mas o sol assomava com força suficiente para estar confortável. Antes, tinha ido, um pouco a medo, ao pé da rebentação das ondas. Molhou os pés, as mãos, a cara. Encharcou a alma de água salgada e deixou-se estar a vê-la no seu ir e vir infinito. Era milionária. Agora, já velha, era milionária. O que pensaria o seu João disso, se fosse vivo?

«Então, ti Catrina, anda a caiar?» «Tem de ser, tem de ser…» Era verão. Catarina, como fazia todos os verões, caiava as paredes. Todos se admiravam de nada ter mudado na sua vida. Teria renegado o dinheiro? «Com aquele feitio? Essa é que era boa! Ná!…» Catarina fingia que não ouvia. O dinheiro, ela e os seus sabiam onde estava e isso bastava, se precisassem… E lembrava-se da frescura do mar.

Além-felicidade

A Letras num Papel escreve também votos de casamento ou dedicatórias especiais para alguém mais especial ainda! Este é um exemplo. Adocem os vossos corações e ofereçam as letras mais românticas que se podem ler num papel, eu ajudo! Contactem a Letras num Papel!

 

amor

in http://aisleperfect.com/2013/02/whats-your-love-language.html

Dizer que o amor que sinto por ti foi à primeira vista é estar a mentir. Na verdade, foi amor à primeira vista, ao primeiro cheiro, à primeira palavra, ao primeiro toque… Amei-te toda de uma vez e rezei para não se notar muito que me arrepiava a forma como tinhas sido feita tão à minha medida.

Dizer que gostei de tudo em ti é estar a mentir. O verbo gostar não foi feito para apreciar a perfeição dos teus olhos, para admirar a delicadeza dos teus movimentos, para avaliar a doçura que provo nos teus sorrisos. Prefiro dizer que amei tudo em ti e rezei para se notar um bocadinho que me arrepiava a forma como tinhas sido feita tão à minha medida.

Agora, aqui, neste momento em que prometo que é contigo que ficarei até tu me quereres, dizer que estou feliz é estar a mentir. Feliz não é adjetivo bastante para qualificar o meu estado, creio até que ainda não inventaram a palavra certa para caracterizar o que sinto e acredito que é por seres tão única; se houvesse mais pessoas como tu, de certeza que o conceito já teria sido inventado. E, enquanto te digo estas palavras, e te tento explicar o estado de além-felicidade que me provocas, olho para ti na esperança de já teres notado que me arrepia a forma como foste feita tão à minha medida.

A história de ti em mim

grávida

in http://gartic.uol.com.br/andreysk/desenho-jogo/1259103836

A Letras num Papel escreve histórias mais ou menos doces, mais ou menos humorísticas, literalmente, à vontade do freguês! Este é o excerto de uma delas: a de uma gravidez contada à sua protagonista, em tom bem humorado. Animem-se, contem também a vossa história, não se preocupem que eu escrevo!… Contactem a Letras num Papel.

 

E apareceram assim, do nada, duas riscas entre o lilás e o cor-de-rosa, no meio da tira branca. Eras tu! É claro que já desconfiava, mas a certeza indiscutível do facto tornava tudo demasiado real e trazia consigo uma pincelada de pânico que eu tentava por todos os meios esconder atrás de todos os outros tons de felicidade que me pintavam o espírito.

Depois de contar à família, aos amigos, aos colegas, aos gatos e às cadelas… chegou o resto. Pensar na nova vida. Refletir sobre a pessoa que geramos, que já existe dentro de nós, mas que não conhecemos de lado nenhum. E isto, acredita, consegue dar um nó na mais tranquila das mentes!

Fisicamente, a experiência de ter um ser dentro de nós é, pela sua própria complexidade, quase impossível de descrever a quem nunca passou por ela (lá chegarás, minha querida). Ora desce sobre nós uma bolha imensa de amor que nos dá vontade de sorrir até para as pedras da calçada, ora se instalam sensações entre o desconfortável e o esquisito, sendo que as desta última categoria se verificam em crescendo até ao seu culminar, no momento do parto, mas não é o momento de a mãe te explicar esta parte. Adiante!

Pedes-me para te contar como foi estar grávida de ti. Digo-te que, desde o primeiro momento, senti que éramos companheiras para a vida, mas também tenho de te dizer que não foi fácil estar trinta e nove semanas com uma má disposição intermitente, que tinha mais vindas do que idas. Desde minúscula que tiveste um caráter muito forte, sabes?…

Dou a palavra…

… a Sophia de Mello Breyner Andresen.

Deus Escreve Direito

Deus escreve direito por linhas tortas
E a vida não vive em linha recta
Em cada célula do homem estão inscritas
A cor dos olhos e a argúcia do olhar
O desenho dos ossos e o contorno da boca
Por isso te olhas ao espelho:
E no espelho te buscas para te reconhecer
Porém em cada célula desde o início
Foi inscrito o signo veemente da tua liberdade
Pois foste criado e tens de ser real
Por isso não percas nunca teu fervor mais austero
Tua exigência de ti e por entre
Espelhos deformantes e desastres e desvios
Nem um momento só podes perder
A linha musical do encantamento
Que é teu sol, tua luz, teu alimento

in ANDRESEN, Sophia de Mello Breyner, O Búzio de Cós e Outros Poemas, 2.ª edição, Editorial Caminho, 1997

 

Sábado é dia de…

SORRIR! Bom fim de semana.

sorriso

Sonho: quem tudo quer…

«Terraço Itália» de Gregorio Gruber in www.guia.folha.uol.com.br

«Terraço Itália» de Gregorio Gruber in www.guia.folha.uol.com.br

Acordou mergulhado em suor. A garganta seca e doída como se tivesse estado a gritar. «Outra vez a merda do sonho!». Levantou-se; foi à casa de banho; abriu a torneira. Soube-lhe bem a água gelada na cara. Voltou para a cama, mas desperto, pensando.

«Quero mais» – a voz, que era a sua, soava-lhe à de um estranho. Do outro lado da linha, um silêncio; um suspiro; uma tentativa de resposta que não chegava. «Mas o senhor tinha dito que não iria pedir mais…» «Mudei de ideias. Quero mais.» «Quanto?» «Mais cinco mil.» «Eu não tenho esse dinheiro! Acha que sou rico?» «Ouça, não sei se é rico ou se não é. Sei que tenho informações sobre si que iriam interessar a muita gente e que não lhe convém que se saibam! Quero mais cinco mil o quanto antes!» – só agora reparava que estava a gritar; a impaciência a tomar conta de si.

Escurecia já. Não por ser muito tarde, mas porque o horário de inverno traz mais cedo a noite que, desta forma, se instala nas ruas, nas caras e nos corações da gente. Enquanto conduzia, pensava outra vez no sonho que tinha tido. Chegou primeiro. Pouco depois, outro carro estacionou perto do seu; desligaram as luzes. Durante um ou dois minutos, nada aconteceu, como se estivessem a testar-se. João sai, então, do carro. O outro também; trazia um envelope na mão esquerda. João sorriu, aliviado. «Aqui tem.» «Muito obrigado, caro senhor», disse João, baixando a cabeça. «Porquê? Porque é que me faz isto?» João hesitou. «Sabe que achei mesmo que não lhe fosse pedir mais, mas não consigo.» Sorriu outra vez. O outro andou em direção ao carro. Quando abriu a porta, no entanto, virou-se. Ouviu-se um estrondo. PUM. João caiu no chão ainda sem perceber o que lhe tinha acontecido. De repente, percebeu. «O sonho. Estou a morrer como na merda do sonho.»