O quê?!

inperfeições

Corretor para o quê?! Evite erros mais ou menos óbvios; contacte a Letras num Papel para rever o seu trabalho ou obra. Peça um orçamento sem compromisso.

 

Apenas «para sempre»?

Fotografia de indulgy.com via stylemepretty.com

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Quando «para sempre» não chega, a Letras num Papel dá uma ajuda. Peça um orçamento para os seus votos de casamento. Serão únicos e marcarão o seu dia mais especial.

Dou a palavra…

a Camilo Pessanha*.

II

Passou o outomno já, já torna o frio…
— Outomno de seu riso maguado.
Algido inverno! Obliquo o sol, gelado…
— O sol, e as aguas límpidas do rio.

Aguas claras do rio! Aguas do rio,
Fugindo sob o meu olhar cançado,
Para onde levaes meu vão cuidado?
Aonde vaes, meu coração vazio?

Ficae cabelos d’ella, fluctuando,
E, debaixo das aguas fugidias,
Os seus olhos abertos e scismando…

Onde ides a correr, melancolias?
— E, refractadas, longamente ondeando,
As suas mãos translucidas e frias…

in PESSANHA, Camilo, Clepsydra, edição crítica de Paulo Franchetti, Relógio D’Água Editores, Lisboa, 1995

 

* A ortografia está segundo o original, escrito pelo autor.

Sábado é dia de…

SONHAR. Acordados ou a dormir, para realizar ou não, há que sonhar, sempre. Bom fim de semana!

farewell-kingdom.tumblr.com, encontrado em Pinterest

in farewell-kingdom.tumblr.com, encontrado em Pinterest

Ramo simpático ou inesquecível?…

thecottagemarket.com, encontrado em Pinterest

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«A cor delicada destas flores em nada se compara à leveza com que tocas o acontecer dos meus dias…»

Este fabuloso ramo de flores não estará completo sem uma dedicatória… Tenho várias ideias que podem elevar o simpático a inesquecível. Contactem a Letras num Papel e peçam o texto que mudará as vossas vidas (orçamento apresenta-se mediante o solicitado).

Dou a palavra (especial ano novo)…

a Matsuo Bashô (1644 – 1694).

PRÓLOGO

Os meses e os dias são viajantes da eternidade. Assim como o ano que passa e o ano que vem. Para aqueles que se deixam flutuar a bordo dos barcos ou envelhecem conduzindo cavalos, todos os dias são viagem e a sua casa é o espaço sem fim. Dos homens do passado, muitos morreram em plena rota. A mim mesmo, desde há anos, me perseguem pensamentos de vagabundo mal vejo uma nuvem arrastada pelo vento.

Passei o último Inverno percorrendo a costa. No Outono regressei à minha cabana nas margens do rio. Mal tivera tempo de limpar as teias de aranha quando me surpreendeu o fim do ano. Em breve, a névoa da Primavera cobriria o ceú e os campos, e eu queria atravessar Shirakawa nessa altura. Tudo o que via me convidava a viajar. Tão possuído estava pelos deuses que não conseguia dominar os meus pensamentos. Os espíritos do caminho faziam-me sinais, e dei-me conta que não podia adiar por mais tempo a minha partida.

Remendei as minhas calças rotas, mudei as tiras do meu chapéu de palha e untei as minhas pernas para as fortalecer. A ideia da lua na ilha de Matsushima enchia as minhas horas. Cedi a minha cabana e fui para casa de Sampu. Num dos pilares deixei este poema:

Também esta cabana de colmo
se há-de transformar
em casa de bonecas.

BASHÔ, Matsuo (1644 – 1694), O Gosto Solitário do Orvalho, seguido de O Caminho Estreito (organização de Jorge Sousa Braga) in Imaginário Assírio & Alvim 2004, Assírio & Alvim, 2004

2014 não foi um bom ano

E.L.A em Flickr, encontrada em Pinterest

E.L.A em Flickr, encontrada em Pinterest

2014 não foi um bom ano. Houve lágrimas a mais; partidas inexplicáveis; finais moribundos, que se arrastaram por demasiado tempo até que, finalmente, se concretizassem.

Não posso dizer que tenha sido particularmente feliz ao longo do ano que hoje termina; atrevo-me até a afirmar que sinto algum alívio por vê-lo ir embora e fechar as suas portas. Raras vezes experimentei esta sensação de começar outra vez, do zero, numa folha em branco; 2015 trar-me-á essa oportunidade. A oportunidade de um viver diferente, fazendo, uma vez, pela primeira vez, o que quero ao invés do que é suposto. Verei, certamente, o franzir de muitas testas, o esgar de inúmeras bocas, mas saberei que, desta vez, pelo menos desta única vez, seguirei a mim mesma e não a outros.

2014 não foi um bom ano, no entanto, 2015 tem tudo para ser um ano memorável. Venha ele!

Bom ano a todos!

Que nunca ninguém se esqueça*

Antes de o ano terminar, queria escrever uma homenagem a alguém. No entanto, às vezes, são tantas as palavras que rodopiam em nós, que não conseguimos fixá-las. Os pensamentos misturam-se, os sentimentos complicam-se e, simplesmente, as frases não aparecem. Acontece-me sempre isto quando tento pôr no papel uma dor. Primeiro vem a impressão no estômago, um tremor, ao princípio, quase impercetível, mais tarde, manifestamente desconfortável; depois, a pulsação mais rápida, o nervosismo de não conseguir.

A dor que, desta vez, tento pôr no papel, é a da perda. A inexplicável perda de uma pessoa.

Diz-se por aí que a estupidez humana não tem limites. É verdade. Não tem. Tal como os não tem a maldade. A tragédia ocorre quando, por uma idiota coincidência do destino, a estupidez e a maldade se encaram. Perde-se, assim, uma vida, porque alguém decide que já não é tempo de viver; perde-se uma vida, porque alguém decide que é tempo de morrer.

A propósito do que aconteceu, deste incrível episódio, ouvi muitos comentários; nestas alturas, todos têm o que dizer e o povo tem, por vezes, tomadas de posição difíceis de aceitar. Eu tenho algo muito simples a manifestar, dois pedidos, se quiserem. O primeiro é que nunca ninguém esqueça a pessoa a quem a vida foi arrancada; o segundo, que nunca ninguém se esqueça de que quem o fez é um assassino.

 

* No dia 6 de maio de 2014, por volta das 16h, a advogada Natália de Sousa foi vilmente assassinada, no seu escritório, em Estremoz, quando e porque exercia funções inerentes à sua profissão. É para ela este texto. Que nunca se esqueça o que lhe aconteceu nem quem o perpetrou.

«Há erro?», a solução

in www.idealista.pt

in www.idealista.pt

Havia um erro, a saber, na expressão «a nível global». Usar-se «a nível» é errado; a preposição a é usada incorretamente, o certo é usar-se «ao nível». Por outro lado, a palavra nível é usada como sinónimo de contexto, âmbito, plano, o que é, também, errado; deve usar-se quando nos estamos, por exemplo, a referir a hierarquias ou a alturas: «ao nível da presidência», «o edifício situa-se ao nível da serra ao seu lado».

Até ao próximo desafio!

Há erro?

Já sabem que a Letras num Papel pode ajudar-vos nas vossas revisões de textos, basta contactarem-nos. A propósito de revisão de textos, será que há algum erro na frase de hoje? Aqui fica o desafio! Boa semana.

encontrado em Pinterest, de myfotolog.tumblr.com

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«Nem o número de falantes, nem a riqueza económica são o que mais condiciona a influência de uma dada língua a nível global, conclui estudo com participação portuguesa.»

in www.publico.pt, «Influência de uma língua mede-se pela capacidade de ligar línguas distantes», de 22/12/2014