Dou a palavra…

a Michael Ondaatje, na obra O Doente Inglês, numa passagem que surge a propósito dos ventos… Leiam o resto, que não se irão arrepender.

«Há sempre milhões de toneladas de poeira no ar, tal como há milhões de partículas de ar na terra e mais seres vivos debaixo do solo (minhocas, larvas, criaturas subterrâneas) do que a pastar e a viver sobre ele. Heródoto relata a morte de vários exércitos tragados pelo simoon, e que nunca mais tornaram a ser vistos. Certa nação “tão irada ficou com este vento diabólico que lhe declarou guerra e marchou contra ele em boa ordem de batalha, para logo ficar repentina e completamente sepultada”.
Tempestades de poeira sob três formas. O turbilhão. A coluna. O lençol. Na primeira perde-se o horizonte. Na segunda é-se rodeado por “génios dançarinos”. A terceira, o lençol, é “cor de cobre. A natureza parece ficar toda em chamas”.»

in ONDAATJE, Michael, O Doente Inglês, «Ficção Universal», Publicações Dom Quixote, Lisboa, 1996, página 29

Sábado é dia de…

fotografia de Camila Massu in http://travel.nationalgeographic.com/, via Pinterest (Christine Emmerich)

fotografia de Camila Massu in http://travel.nationalgeographic.com/, via Pinterest (Christine Emmerich)

DIVERSÃO! A dois, a três, a um… divirtam-se!

Pele

«Espalda» in http://inperfeccionista.tumblr.com/, via Pinterest (José Soto)

«Espalda» in http://inperfeccionista.tumblr.com/, via Pinterest (José Soto)

Na tua pele, sinto arrepios e calor e frio e eu e tu e nós. Preciso da tua pele para viver, para me lembrar que respiro. A tua pele dá uma razão de ser à minha própria, que existe para tocar a tua.

Nesta semana dedicada aos cinco sentidos, terminamos com o tato. Cada sentido serviu de inspiração a uma dedicatória. Inspire-se e peça à Letras num Papel para fazer o resto.

A tua visão

Fotografia de Eric Drigny in https://500px.com/edrigny, via Pinterest (Jlg Glj)

Fotografia de Eric Drigny in https://500px.com/edrigny, via Pinterest (Jlg Glj)

Olho para mim e percebo que, no final, nada vejo se não for contigo. É a tua visão comigo que me completa, em frente ao espelho, em frente ao mundo. Assim, muito simplesmente, a minha imagem és tu, porque eu só sou quando refletido em ti.

Hoje, é o sentido da visão que serve de mote para uma dedicatória. Esta deixaria de rastos qualquer apaixonado. Peça a sua dedicatória personalizada à Letras num Papel.

Sabes-me a…

fotografia de Henry Horenstein in http://d-i-a-b-o-l-i-q-u-e-s.tumblr.com, via Pinterest (Ai Tiri)

fotografia de Henry Horenstein in http://d-i-a-b-o-l-i-q-u-e-s.tumblr.com, via Pinterest (Ai Tiri)

Sabes-me a um novo começo, todos os dias. Em ti, consigo sentir o sabor de dias infinitos, de noites intermináveis,… da eternidade, enfim. O teu sabor é inigualavelmente único e viciante e não quero, nunca mais, sentir outro que não seja o teu.

Mais uma dedicatória que faria as delícias de um ou uma enamorado/a. Fale com a Letras num Papel e encomende a sua.

Ouvir-te.

Fotografia de Bill Brandt, Nude, Seaford, East Sussex Coast, in www.Luminous- Lint.com, via Pinterest (Lisa Benedetti- Davis)

Fotografia de Bill Brandt, Nude, Seaford, East Sussex Coast, in www.Luminous- Lint.com, via Pinterest (Lisa Benedetti- Davis)

«Ouvir-te respirar dá-me a tranquilidade de te saber aqui, ao pé de mim; ouvir a tua gargalhada, impregna-me de alegria, porque me alegro se tu te alegras; ouvir como repousas, em silêncio, acalma os meus temores. Ouvir-te, só ouvir-te, de olhos fechados…»

Ouvir as palavras certas não tem preço. Fale com a Letras num Papel e tenha uma dedicatória personalizada que fará as delícias de quem a receber.

Cheiras a nós.

SweetLightFotography in www.etsy.com, via Pinterest (Budapest Wedding Papercraft)

SweetLightFotography in www.etsy.com, via Pinterest (Budapest Wedding Papercraft)

«Cheiras a tudo o que me faz feliz: a uma manhã luminosa de sol, mas também a um fim de tarde chuvoso, que observo da janela; à primeira página de um livro, lida com curiosa pressa, e também à sua última, absorvida com lenta melancolia; cheiras ao barulho do mar, em dias de verão, e ao ruído das pipocas a estalar, em tarde de inverno. Cheiras a nós e a tudo o que ainda temos pela frente…»

Esta é uma dedicatória a alguém, feita à sua medida. Fale com a Letras num Papel e encomenda, também, uma dedicatória personalizada. Marcará a diferença, acredite.

Dou a palavra…

a Luis Cernuda. Seguir o nosso caminho, sempre.

Peregrino

Regressar? Regresse o que sentir
Após longos anos e uma longa viagem,
Cansaço do caminho e a cobiça
De sua terra, sua casa, seus amigos,
Do amor que, ao regressar, o espere, fiel.

Mas tu? Voltar? Não penses regressar,
Mas continuar livre, para a frente,
Disponível para sempre, moço ou velho,
Sem filho que te busque, como a Ulisses,
Sem Ítaca à espera e sem Penélope.

Continua, continua e não regresses,
Fiel até ao fim do caminho e de tua vida,
Não sintas a falta de um destino mais fácil,
Teus pés sobre a terra nunca antes pisada,
Teus olhos enfrentando o jamais visto.

Luis Cernuda (1902 – 1963) in Antologia da Poesia Espanhola Contemporânea (seleção e tradução de José Bento), in poemário Assírio & Alvim 1998, Assírio & Alvim, Lisboa, 1998

Sábado é dia de…

desenho de Claudia Tremblay, in etsy.com, via Pinterest (Libby Hill Nelson)

desenho de Claudia Tremblay, in etsy.com, via Pinterest (Libby Hill Nelson)

NÓS. É dia de acompanhar e de estar acompanhado, quer seja por muita ou por pouca gente. Hoje, sejam nós.

Canela.

Há já algum tempo que não publicava um texto mais extenso. Quebro, hoje, esse jejum com «Canela.». É, apenas, um pequeno devaneio sobre o que despertou em mim, um dia, o cheiro desta especiaria. Considerei, também, que seria adequado ao dia que se aproxima, aquele que é suposto ser o mais romântico do ano.

Já sabem que a Letras num Papel vos pode ajudar na produção da vossa história, mais ou menos romântica, ou, simplesmente, a preparar uma invulgar dedicatória, seja para o Dia de São Valentim ou para qualquer outro em que vos apeteça mimar alguém. Falem connosco!

 

in lifestylebypoliquin.com, via Pinterest (Mariangela Laconi)

in lifestylebypoliquin.com, via Pinterest (Mariangela Laconi)

Passava à frente de uma pastelaria, quando me golpeou o cheiro forte da canela. Imediatamente me lembrei da noite que passámos a olhar o céu e a comer aqueles bolinhos que a tua mãe tinha feito. Foi a nossa primeira noite. Foi, também, a nossa última noite. Nunca mais nos vimos e, no entanto, ainda hoje, o cheiro da canela me leva sempre de volta àquelas horas em que, juntos, sonhámos com uma vida que, sabíamos, nunca iríamos viver. Desde essa altura, a canela cheira a viagens, a longe e ao sabor dos bolos que comeríamos a olhar o infinito, nada mais, nada menos do que o nosso reino.

Gosto de pensar que, também para ti, aquela noite ainda é presente e que o futuro que sonhámos ainda pode ser. Quero pensar que, também a ti, o cheiro da canela te leva embora.

Talvez, num acaso desses que a vida tem, sintamos os dois o cheiro da canela no mesmo exato segundo e consigamos encontrar-nos nesse lugar que, uma noite, ousámos imaginar.