Crie memórias com memórias

maternidade II

Fotografia de Bruno Conceição (brunoconceicao.net)

Para sempre é, sem dúvida, muito tempo. Mas, na verdade, oferecer letras num papel é muito próximo de oferecer a eternidade. Crie memórias com memórias, dando a quem mais gosta a sua ou a vossa história. Fale com a Letras num Papel. Nós ajudamos.

Olhar na mesma direção

IMG_3617Desde muito cedo, ensinaste-me que deveríamos olhar os dois na mesma direção. Estiveste sempre ao meu lado, rimo-nos juntos e, muitas vezes, também chorámos os dois. Mas, o mais importante, nas nossas vidas, foi cada um de nós, em todo o momento, ao pé do outro…

Este podia ser o princípio da história mais significativa que alguma vez vai ler, a que homenageia o seu pai. Fale com a Letras num Papel e, juntos, criaremos um presente único para o seu pai.

Inesquecível. Irrepetível.

Imagem de apositivelybeautifulblog.tumblr.com, encontrada em Pinterest

Imagem de apositivelybeautifulblog.tumblr.com, encontrada em Pinterest

O Dia dos Namorados está já aí. Não se deixe enredar pelos mesmos presentes de todos os anos. Ofereça algo inesquecível. Irrepetível. Peça à Letras num Papel que lhe escreva o mais bonito texto, seja a dedicatória que acompanha a caixa de bombons ou a vossa história de amor, ela própria transformada no presente mais doce. Vale a pena experimentar, não acha?

A melhor história de todas…

Família-Ié a sua!

Peça e a Letras num Papel escrever-lhe-á a sua história; juntamente com as imagens mais de que mais gostar, construirá um livro muito especial, o seu! Em colaboração com o fotógrafo Bruno Conceição (www.brunoconceicao.net), faremos uma obra única. Solicite orçamento, surpreenda-se e surpreenda!

A gravidez, para sempre!…

Fotografia de Bruno Conceição in http://brunoconceicao.net/

Fotografia de Bruno Conceição in http://brunoconceicao.net/

A gravidez pode, por vezes, parecer eterna, no entanto, passa muito rápido e nem sempre temos a oportunidade de ficar com uma memória bonita desse período. A Letras num Papel, em parceria com Bruno Conceição Design & Fotografia, oferecem-lhe essa possibilidade. Contacte-nos, marque a sua sessão fotográfica e organize um álbum cheio de bonitas imagens acompanhadas de texto personalizado, para mais tarde poder partilhar com os seus filhos. É um presente inigualável!

 

Sonhos.

Hoje, véspera de Natal, proponho «Sonhos.», porque esta época não é marcada pela felicidade de todos.

Lembrem-se que a Letras num Papel pode realizar os vossos próprios sonhos, desde que tenham palavras à mistura! Falem comigo! Boa Consoada!

de Alessandro Gottardo (aka SHOUT), em mymodernmet.com

de Alessandro Gottardo (aka SHOUT), em mymodernmet.com

Pôs 3dl de leite com 1,5dl de óleo, a casca de limão e o sal, num tacho, a ferver. Pensou noutros natais que já vivera ali em casa. Sorriu quando se lembrou da expressão do Pedro, ainda bebé, ao ver, pela primeira vez, a árvore de Natal cheia de luzes, fitas e bolas coloridas; ou daquela vez em que a Joana correu, assustada, para o seu colo mal o Pai Natal entrou na sala, e nem o facto de ser ele o portador dos tão desejados presentes a fez mover-se dos seus braços. Quando o leite e o óleo já ferviam, juntou 250gr de farinha e mexeu energicamente com a velha colher de pau que tantas vezes usara para preparar as consoadas. Pensou que talvez fosse melhor não estar a fazer doces, mas, a verdade, é que a ajudava a esquecer-se da vida ou, se calhar, a lembrar-se. Pareceu-lhe ouvir a porta da rua a bater. Levantou a cabeça em sinal de alerta, mas não ouviu passos. Espreitou para o corredor, nada. Deveria ter sido o vizinho a chegar. No momento em que a massa já se descolava do tacho, parou de a mexer; pôs o recipiente na bancada da cozinha, havia que deixar arrefecer. Olhou para a fotografia do Miguel, acompanhado do avô e dela própria; imaginou como seriam as suas feições, agora. Como seria bom estarem todos juntos, outra vez! Reparou no relógio: marcava as 18h30. Eram 18h30 do dia 24 de dezembro. Sentou-se, à espera. Pouco depois, verificou que a massa já estava fria; juntou-lhe seis ovos inteiros e mexeu tudo muito bem. Tinha posto, entretanto, óleo ao lume para fritar as colheradas de massa, que ia deitando com a segurança própria de quem já repetira esta tarefa mais vezes do que aquelas de que se lembrava. Eram quase 20h. Polvilhou os sonhos de Natal com açúcar e canela. Levou o prato para a mesa, que estava posta para uma pessoa, para ela própria. Sentou-se. Olhou em volta e a quietude apertou-lhe o peito. Estava só com os seus sonhos. E chorou.

Desta vez, um conto de Natal!

Ilustração de Iwona Cala, em http://www.coroflot.com/cala/illustrations-fo-children-books

Ilustração de Iwona Cala, em http://www.coroflot.com/cala/illustrations-fo-children-books

Agradeço a oportunidade que a escola da minha filha, Estrela do Mar, me deu de poder contribuir para a festa de Natal das crianças. Escrevi este conto, inspirado no que aconteceu nas semanas que antecederam o dia de ontem.

Lembro que também me podem encomendar os vossos contos de Natal para oferecer na noite que se quer a mais ternurenta do ano!

 

Era uma vez uma escola de onde se conseguia cheirar o mar. Todavia, nas últimas semanas, o aroma do oceano era acompanhado de um outro, que tão bem conheciam: o aroma do Natal! Os sinais que o anunciavam não deixavam qualquer dúvida. Vejamos, primeiro, o Dia, cansado do longo verão, ia embora mais cedo e, por essa razão, a sua colega, a Noite, chegava antes; depois, chegou o Frio, sempre mal disposto e rabugento, que, acompanhado pelos seus grandes amigos, a Chuva e o Vento, logo obrigou todos a vestirem os seus casacos mais quentinhos; finalmente, o maior e mais esperado sinal apareceu uma manhã quando já todos estavam prontos para começar o seu dia de escola: fazendo grande alarido, tocou à campainha a adorável Dona Festa!

Começou rapidamente os preparativos para a celebração mais importante do ano. Distribuiu tarefas pelos meninos; uns cantam, outros dançam, outros ainda representam uma peça de teatro. Com a ajuda de todos, Dona Festa tinha conseguido organizar um espetáculo de sonho!

Porém, na escola de onde se conseguia cheirar o mar, nem todos estavam tão felizes como a Dona Festa e os seus meninos. Na verdade, a Senhora Varicela já tinha um plano que acabaria com as gargalhadas das crianças. Pequenas borbulhas, inchadas e irrequietas, em pouco tempo encheram as crianças de comichão e todos de preocupação.

A Dona Festa voltara a organizar as tarefas de todos, mas, quando os problemas já pareciam resolvidos, logo a Senhora Varicela fazia das suas e, zás!, tudo se virava de pernas para o ar… A Dona Festa já começava a desanimar e chegou mesmo a temer que fosse este o ano em que, pela primeira vez, a escola de onde se conseguia cheirar o mar não tivesse o seu espetáculo de Natal.

Quando soube deste desânimo geral, o Senhor Entusiasmo não pôde esperar mais. Correu para a escola e, sem hesitar, lembrou a todos a importância do que estavam a preparar.

– Mas, Senhor Entusiasmo, tínhamos um grande palco, com muitas luzes e inúmeros adornos. Agora, com tantas crianças em casa por causa da Senhora Varicela, não podemos fazer o que tínhamos planeado – disse a Dona Festa, com os olhos cheios de lágrimas.

– É verdade, Dona Festa, não conseguimos fazer algo tão grandioso como tinha pensado, mas um bom espetáculo não tem de ser grande, tem de ser verdadeiro. O espírito do Natal está no que é feito com amor, seja grande ou pequeno – disse o Senhor Entusiasmo.

A Dona Festa voltou a sorrir. A sua imaginação já voava outra vez. Ia e vinha, falava com todos e ouvia o que tinham para lhe dizer. Todos colaboravam: o Senhor Empenho deu uma ajuda, a Senhora Determinação passou por lá, tal como a Dona Amizade.

No dia assinalado, à hora marcada, tudo estava pronto. A Dona Festa estava radiante, olhando para as crianças, felizes. A Senhora Varicela não tinha ganhado e não fora este o ano em que não houvera festa de Natal. Tal como dissera o Senhor Entusiasmo, interessava mais a verdade com que fazemos alguma coisa do que o seu tamanho.

Que o Natal esteja em vós!

O Euromilhões.

Her mind & the sea de Rachel Sierra in https://www.etsy.com

Her mind & the sea de Rachel Sierra in https://www.etsy.com

Já sabem que a Letras num Papel escreve histórias, tantas quantas vocês desejarem, sobre o tema que quiserem. Hoje, imaginemos como seria ganhar o Euromilhões e, acreditem, que dá uma boa história… Encomendem a vossa, contactando a Letras num Papel!

«13, 22, 36, 39…» Catarina não queria acreditar. Olhava atónita para o boletim que segurava nas mãos enquanto ouvia os números. Estavam todos naquele quadradinho que a sua neta lhe tinha preenchido, à pressa, na terça-feira passada. A porta da rua bateu. «Então, ‘vó? Ganhaste alguma coisinha?» «Acho que ganhei… tudo!» A rapariga ficou branca. «A sério?!»

Dois meses passados, foram a Lisboa levantar o prémio. A cifra era imensa. Tantos milhões. O que faria com tanto dinheiro? «Vamos, ‘vó?» «Sim, vamos… É agora que passamos por lá?» «Sim, ‘vó, vamos lá agora.»

Dentro do carro, apreciava as pessoas nos passeios, nas suas vidas, sem imaginarem sequer que a dela tinha levado aquele tremendo abanão. Tinha pedido à neta que a levasse ao mar. Em tantos anos de vida nunca tivera tempo de apreciar o oceano com calma, de o cheirar, de lhe sentir o frio da água e do sal misturados. Fora o único desejo de nova-rica que apresentara: «levem-me ao mar».

Demorou-se, na areia, sentada. Era outono, mas o sol assomava com força suficiente para estar confortável. Antes, tinha ido, um pouco a medo, ao pé da rebentação das ondas. Molhou os pés, as mãos, a cara. Encharcou a alma de água salgada e deixou-se estar a vê-la no seu ir e vir infinito. Era milionária. Agora, já velha, era milionária. O que pensaria o seu João disso, se fosse vivo?

«Então, ti Catrina, anda a caiar?» «Tem de ser, tem de ser…» Era verão. Catarina, como fazia todos os verões, caiava as paredes. Todos se admiravam de nada ter mudado na sua vida. Teria renegado o dinheiro? «Com aquele feitio? Essa é que era boa! Ná!…» Catarina fingia que não ouvia. O dinheiro, ela e os seus sabiam onde estava e isso bastava, se precisassem… E lembrava-se da frescura do mar.

A história de ti em mim

grávida

in http://gartic.uol.com.br/andreysk/desenho-jogo/1259103836

A Letras num Papel escreve histórias mais ou menos doces, mais ou menos humorísticas, literalmente, à vontade do freguês! Este é o excerto de uma delas: a de uma gravidez contada à sua protagonista, em tom bem humorado. Animem-se, contem também a vossa história, não se preocupem que eu escrevo!… Contactem a Letras num Papel.

 

E apareceram assim, do nada, duas riscas entre o lilás e o cor-de-rosa, no meio da tira branca. Eras tu! É claro que já desconfiava, mas a certeza indiscutível do facto tornava tudo demasiado real e trazia consigo uma pincelada de pânico que eu tentava por todos os meios esconder atrás de todos os outros tons de felicidade que me pintavam o espírito.

Depois de contar à família, aos amigos, aos colegas, aos gatos e às cadelas… chegou o resto. Pensar na nova vida. Refletir sobre a pessoa que geramos, que já existe dentro de nós, mas que não conhecemos de lado nenhum. E isto, acredita, consegue dar um nó na mais tranquila das mentes!

Fisicamente, a experiência de ter um ser dentro de nós é, pela sua própria complexidade, quase impossível de descrever a quem nunca passou por ela (lá chegarás, minha querida). Ora desce sobre nós uma bolha imensa de amor que nos dá vontade de sorrir até para as pedras da calçada, ora se instalam sensações entre o desconfortável e o esquisito, sendo que as desta última categoria se verificam em crescendo até ao seu culminar, no momento do parto, mas não é o momento de a mãe te explicar esta parte. Adiante!

Pedes-me para te contar como foi estar grávida de ti. Digo-te que, desde o primeiro momento, senti que éramos companheiras para a vida, mas também tenho de te dizer que não foi fácil estar trinta e nove semanas com uma má disposição intermitente, que tinha mais vindas do que idas. Desde minúscula que tiveste um caráter muito forte, sabes?…

Sonho: quem tudo quer…

«Terraço Itália» de Gregorio Gruber in www.guia.folha.uol.com.br

«Terraço Itália» de Gregorio Gruber in www.guia.folha.uol.com.br

Acordou mergulhado em suor. A garganta seca e doída como se tivesse estado a gritar. «Outra vez a merda do sonho!». Levantou-se; foi à casa de banho; abriu a torneira. Soube-lhe bem a água gelada na cara. Voltou para a cama, mas desperto, pensando.

«Quero mais» – a voz, que era a sua, soava-lhe à de um estranho. Do outro lado da linha, um silêncio; um suspiro; uma tentativa de resposta que não chegava. «Mas o senhor tinha dito que não iria pedir mais…» «Mudei de ideias. Quero mais.» «Quanto?» «Mais cinco mil.» «Eu não tenho esse dinheiro! Acha que sou rico?» «Ouça, não sei se é rico ou se não é. Sei que tenho informações sobre si que iriam interessar a muita gente e que não lhe convém que se saibam! Quero mais cinco mil o quanto antes!» – só agora reparava que estava a gritar; a impaciência a tomar conta de si.

Escurecia já. Não por ser muito tarde, mas porque o horário de inverno traz mais cedo a noite que, desta forma, se instala nas ruas, nas caras e nos corações da gente. Enquanto conduzia, pensava outra vez no sonho que tinha tido. Chegou primeiro. Pouco depois, outro carro estacionou perto do seu; desligaram as luzes. Durante um ou dois minutos, nada aconteceu, como se estivessem a testar-se. João sai, então, do carro. O outro também; trazia um envelope na mão esquerda. João sorriu, aliviado. «Aqui tem.» «Muito obrigado, caro senhor», disse João, baixando a cabeça. «Porquê? Porque é que me faz isto?» João hesitou. «Sabe que achei mesmo que não lhe fosse pedir mais, mas não consigo.» Sorriu outra vez. O outro andou em direção ao carro. Quando abriu a porta, no entanto, virou-se. Ouviu-se um estrondo. PUM. João caiu no chão ainda sem perceber o que lhe tinha acontecido. De repente, percebeu. «O sonho. Estou a morrer como na merda do sonho.»