Dou a palavra…

aos SMASHING PUMPKINS. Continuando na temática das abóboras, escolhi para hoje uma das minhas bandas preferidas e um dos álbuns que mais vezes ouvi ao longo da minha vida… Até custa acreditar que já se passaram vinte anos desde que, pela primeira vez, se escutaram estas palavras. Boa semana!

 

Bullet With Butterfly Wings

The world is a vampire, sent to drain
secret destroyers, hold you up to the flames
and what do i get, for my pain
betrayed desires, and a piece of the game
even though i know-i suppose i’ll show
all my cool and cold-like old job
despite all my rage i am still just a rat in a cage
then someone will say what is lost can never be saved
despite all my rage i am still just a rat in a cage
now i’m naked, nothing but an animal
but can you fake it, for just one more show
and what do you want, i want to change
and what have you got
when you feel the same
even though i know-i suppose i’ll show
all my cool and cold-like old job
despite all my rage i am still just a rat in a cage
then someone will say what is lost can never be saved
despite all my rage i am still just a rat in a cage
tell me i’m the only one
tell me there’s no other one
jesus was an only son
tell me i’m the chosen one
jesus was an only son for you
despite all my rage i am still just a rat in a cage
and i still believe that i cannot be saved

 

in Mellon Collie & The Infinite Sadness de Smashing Pumpkins, Universal Music, 1995

Dou a palavra (ou quase)…

Fotografia de Jason Idzerda in www.designbeep.com

Fotografia de Jason Idzerda in www.designbeep.com

Neste domingo, o «Dou a palavra…» apresenta-se um pouco diferente. Quando pensava no que ia publicar hoje, apenas surgiam imagens e não propriamente palavras. Assim, decidi fazer-me a vontade. Uma estação e inúmeros sentimentos e sensações capturados numa imagem, num momento, num tempo que para por um segundo. Uma estrada que se transforma em espelho, porque os espelhos são tudo aquilo que mostra o que de mais belo, ou de mais horrível, cada ser tem dentro de si. E não temos outro remédio, por mais que o evitemos, a não ser percorrer esse caminho e olharmos para o que ele reflete uma e outra vez. Bom domingo.

Dou a palavra…

a LI TS’ING CHAO (c. 1081 – c. 1140). Certamente desconhecida para muitos, esta poetisa chinesa apresenta uma descrição do outono plena de delicadeza. Bom domingo outonal.

«Extinguia-se o perfume dos vermelhos nenúfares.
O ar leve do Outono penetrava através das pérolas de jade da cortina.
Quem me mandava essas mensagens de amor, desde as nuvens,
na barca das orquídeas, ao resplendor das tochas?
É a estação em que voltam os cisnes bravos e o luar inunda o pavilhão do oeste.
As flores – é a sua sina – revoluteiam e espalham-se.
A água segue o seu destino correndo a concentrar-se num mesmo lugar.
Os seres da mesma espécie convergem num mesmo sonho.
Mas nós, ai!, estamos separados, e eis-me aqui, solitária, já em excesso acomodada à tristeza.
Nada será bastante para destruir este amor.
Por um momento deteve-se nos meus olhos; mas agora gravita já no meu coração.»

in Li Ts’ing Chao, Mesa de Amigos (versões de poesia por Pedro da Silveira), Poemário Assírio & Alvim 2004, Assírio & Alvim, Lisboa, 2004.

Dou a palavra…

a OSCAR WILDE. Hoje, é O Retrato de Dorian Gray que nos faz companhia. Uma história que é, de facto, obrigatória. Bom domingo.

«Haveria, assim, um autêntico prazer em espiar a modificação operada nas suas feições. Poderia seguir o seu pensamento até os seus mais recônditos refolhos. Este retrato seria para ele o mais mágico dos espelhos. Assim como lhe revelara o aspecto exterior do seu corpo, assim lhe revelaria a intimidade da sua alma. E, quando sobre o retrato caísse o inverno, ele continuaria gozando os esplendores da primavera e do verão.

Quando do rosto do retrato se houvesse esvaído todo o sangue, deixando atrás de si uma lívida máscara de giz com olhos plúmbeos, ele conservaria o fulgor radioso da adolescência. Não murcharia nem uma só flor da sua beleza. Não afrouxaria uma só pulsação da sua vida. Semelhantemente aos deuses dos Gregos, seria forte, leve e ledo. Que importava o que acontecesse à imagem pintada na tela? Ele ficaria indemne. Era tudo.

Sorriu, colocou de novo o biombo em frente do retrato e dirigiu-se para o quarto de dormir, onde já o esperava o criado. Uma hora depois achava-se na Ópera. Sobre a sua cadeira apoiava-se Lord Henry.»

in WILDE, Oscar, O Retrato de Dorian Gray, «Colecção Ficções», 3.ª edição, Editorial Estampa

Dou a palavra…

a F. SCOTT FITZGERALD. The Great Gatsby é um dos grandes romances do século XX; é dele que vou deixar um excerto, no original. Espero que vos incite à leitura integral desta história apaixonante. Bom domingo!

«I believe that on the first night I went to Gatsby’s house I was one of the few guests who had actually been invited. People were not invited — they went there. They got into automobiles wich bore them out to Long Island, and somehow they ended up at Gatsby’s door. Once there they were introduced by somebody who knew Gatsby , and after that they conduced themselves acording to the rules of behaviour associated with an amusement park. Sometimes they came and went without having met Gatsby at all, came for the party with a simplicity of heart that was its own ticket of admission.»

in FITZGERALD, F. Scott, The Great Gatsby, Penguin Books, 1992

Dou a palavra…

a NINA SIMONE. Sempre um prazer ouvir esta voz única… Feeling Good! Bom domingo.

 

Feeling Good

Birds flyin’ high, you know how I feel
Sun in the sky, you know how I feel
Breeze driftin’ on by, you know how I feel
It’s a new dawn, it’s a new day, it’s a new life for me.
Yeah, it’s a new dawn, it’s a new day, it’s a new life for me, ooooooooh…
And I’m feelin’ good.

Fish in the sea, you know how I feel
River runnin’ free, you know how I feel
Blossom on the tree, you know how I feel
It’s a new dawn, it’s a new day, it’s a new life for me,
And I’m feelin’ good

Dragonfly out in the sun, you know what I mean, don’t you know,
Butterflies all havin’ fun, you know what I mean.
Sleep in peace when day is done: that’s what I mean,
And this old world is a new world and a bold world for me…

Stars when you shine, you know how I feel
Scent of the pine, you know how I feel
Yeah, freedom is mine, and I know how I feel..
It’s a new dawn, it’s a new day, it’s a new life for me
[scat]
And I’m feelin’… good.

in www.azlyrics.com

Dou a palavra…

a Catulo e a um dos poemas mais arrebatadores de todos os tempos. Apresento-o no original, em latim, e também a respetiva tradução. Bom domingo.

Vivamus, mea Lesbia, atque amemus,
rumoresque senum severiorum
omnes unius aestimemus assis.
Soles occidere et redire possunt:
nobis cum semel occidit brevis lux,
nox est perpetua una dormienda.
Da mi basia mille, deinde centum,
dein mille altera, dein secunda centum,
deinde usque altera mille, deinde centum,
Dein, cum milia multa fecerimus,
conturbabimus illa, ne sciamus,
aut ne quis malus invidere possit,
cum tantum sciat esse basiorum.

Vivamos, Lésbia minha. Vivamos para amar.
E deixemos de parte as sombras da velhice.
O sol desaparece e pode voltar
E nós dormiremos sempre a noite inteira
Quando a luz breve declinar!
Oh! Beija-me mil vezes — mil vezes mais!
Beija-me outras mil vezes — mil vezes mais!
Beija-me ainda mil vezes — mil vezes mais!
Depois — excedido o número de milhar,
Misturemos os beijos de tal forma
Que os não sejamos capazes de contar,
Nem algum invejoso destes beijos
Os possa cobiçar!

Dou a palavra…

a SUN TZU. Escrito há 25 séculos, na China, este tratado sobre a guerra é, ainda hoje, uma referência sobre o tema. Este domingo, a Letras num Papel apresenta um excerto do capítulo V, «A Energia», e, se à partida, lhe parecer básico, pense outra vez… A Arte da Guerra.

«Sun Tzu disse:

1

De modo geral, comandar muitas pessoas é o mesmo que comandar algumas. É uma questão de organização.

Chang Yu: Para dirigir um exército, primeiro é preciso confiar as responsabilidades aos generais e aos seus assistentes e fixar os efectivos das diversas formações…

Um homem é um simples soldado; dois homens, formam um par; três, um trio. Um par mais um trio formam um grupo de cinco, ou seja, um esquadrão; dois esquadrões formam uma secção; cinco secções, um pelotão; dois pelotões, uma companhia; duas companhias, um batalhão; dois batalhões, um regimento; dois regimentos, um grupo de combate; dois grupos de combate, uma brigada; duas brigadas, um exército. Cada um destes elementos está subordinado àquele que o precede na hierarquia e tem autoridade sobre aquele que lhe é imediatamente inferior e cada um é convenientemente treinado. Deste modo, é possível dirigir um exército de um milhão de homens como se fosse um punhado de pessoas.»

in TZU, Sun , A Arte da Guerra, Relógio d’Água Editores, 2009

Dou a palavra…

a LEWIS CARROLL. Quando se comemoram 150 anos da obra Alice no País das Maravilhas, são ainda muitos os mistérios que a mesma encerra, sendo que num ponto existe consenso: é muito mais do que um simples conto para crianças. Deixo-vos com uma passagem do capítulo 5, «Advice from a Caterpillar», no original.

«The Caterpillar and Alice looked at each other for some time in silence: at last the Caterpillar took the hookah out of its mouth, and addressed her in a languid, sleepy voice.

“Who are You?” said the Caterpillar. This was not an encouraging opening for a conversation. Alice replied, rather shyly, “I — I hardly know, Sir, just at present — at least I know who I was when I got  up this morning, but I think I must have been changed several times since then.”

“What do you mean by that?” said the Caterpillar, sternly. “Explain yourself!”

“I can’t explain myself, I’m afraid, Sir,” said Alice, “because I’m not myself, you see.”

“I don’t see,” said the Caterpillar.

“I’m afraid I can’t put it more clearly,” Alice replied very politely, “for I can’t understand it myself, to begin with; and being so many different sizes in a day is very confusing.”»

CARROLL, Lewis, The Annotaded Alice, Alice’s Adventures in Wonderland and Thought the Looking-Glass, Penguin Books.

 

Dou a palavra…

a RUI VELOSO e a CARLOS TÊ. Depois de uma semana de forçada ausência, o «Dou a palavra…» regressa imbuído do espírito popular que se tem vivido estas semanas e apresenta «Baile da Paróquia», uma das mais carismáticas faixas que constitui o álbum Mingos e os Samurais. Bom domingo!

Fui ao baile da paróquia
Por alturas do S. Pedro
Levei a minha lambreta
E o meu velho blusão negro

Pus calças americanas
Coçadas e muito justas
Calcei botas alentejanas
E cosi um dragão nas costas

Punham só Gianni Morandi
Nelson Ned e Marisol
Fui ter com o disco-joca
Encomendei rock and roll

Fui buscar a paroquiana
Mais bela da diocese
Era tão pura e singela
Que até dava catequese

Fui ao baile da paróquia
Lá para os lados de Valbom

Ensinei-lhe a dançar shake
Pus a pista em alvoroço
Quando fomos dançar slow
A bela não me deu roço

Puxei-lhe o braço com força
Fiz uma cena de macho
Estavam lá os irmãos dela
Levei um arraial de facho

Vim de lá feito num oito
Com a poupa esfrangalhada
E não me valeu de nada
Dizer que era baterista
Já ninguém tem respeito
Pelos excessos de um artista

Fui ao baile da paróquia
Lá para os lados de Valbom

in Mingos e os Samurais, 1990, EMI – Valentim de Carvalho, Música, Lda.