Linguagem inclusiva, mas poucochinho…

«Portugueses e portuguesas», «cidadãos e cidadãs»… Chamam-lhe linguagem inclusiva (http://www.igualdade.gov.pt/IMAGES/STORIES/DOCUMENTOS/DOCUMENTACAO/PUBLICACOES/LINGUAGEM.PDF) e ocupa muito do tempo de inúmeras instituições por esse mundo fora. No entanto, e referindo-me em concreto ao que me incomoda, este tipo de linguagem poderia também ser denominada de a mais nova forma de assassinar a gramática portuguesa de uma maneira até simpática e parecendo que se importam com os direitos das mulheres. A pergunta é simples: de que forma é que alguém se sente mais incluído na vida social e/ou política deste país pelo simples facto de, nos discursos, documentos oficiais, etc., se invocarem os destinatários no género masculino e também no feminino? É que, além de tudo, a gramática do português é muito clara neste aspeto: referindo-se a um coletivo, bastará haver um membro do sexo masculino para o nome assumir esse mesmo género.

Enquanto portuguesa e cidadã e tudo o mais que queiram no género feminino, sinto-me insultada de cada vez que este vocativo é pronunciado, sendo que em tempo de campanhas, é-o até à exaustão. E sinto-me insultada, porque, enquanto portuguesa, enquanto cidadã e, principalmente, enquanto mulher, gostaria que os nossos políticos, os nossos «pensadores sociais» ou lá como se chamem os que têm estes rasgos profundos de inteligência, a preocuparem-se com a inclusão das mulheres, o fizessem de verdade, olhando para os seus verdadeiros problemas: para a desigualdade de tratamento no local de trabalho, para a diferença de salários, para os obstáculos que têm de enfrentar quando há que conciliar carreira e família, para…, enfim, para a vida real!

É certo que a língua muda e que deve acompanhar o evoluir dos tempos, mas há tanto a fazer pela inclusão das mulheres (e não só), que todo este aparato me parece obsoleto e profundamente oco.

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