Dou a palavra…

a LI TS’ING CHAO (c. 1081 – c. 1140). Certamente desconhecida para muitos, esta poetisa chinesa apresenta uma descrição do outono plena de delicadeza. Bom domingo outonal.

«Extinguia-se o perfume dos vermelhos nenúfares.
O ar leve do Outono penetrava através das pérolas de jade da cortina.
Quem me mandava essas mensagens de amor, desde as nuvens,
na barca das orquídeas, ao resplendor das tochas?
É a estação em que voltam os cisnes bravos e o luar inunda o pavilhão do oeste.
As flores – é a sua sina – revoluteiam e espalham-se.
A água segue o seu destino correndo a concentrar-se num mesmo lugar.
Os seres da mesma espécie convergem num mesmo sonho.
Mas nós, ai!, estamos separados, e eis-me aqui, solitária, já em excesso acomodada à tristeza.
Nada será bastante para destruir este amor.
Por um momento deteve-se nos meus olhos; mas agora gravita já no meu coração.»

in Li Ts’ing Chao, Mesa de Amigos (versões de poesia por Pedro da Silveira), Poemário Assírio & Alvim 2004, Assírio & Alvim, Lisboa, 2004.

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