Dou a palavra…

a OSCAR WILDE. Hoje, é O Retrato de Dorian Gray que nos faz companhia. Uma história que é, de facto, obrigatória. Bom domingo.

«Haveria, assim, um autêntico prazer em espiar a modificação operada nas suas feições. Poderia seguir o seu pensamento até os seus mais recônditos refolhos. Este retrato seria para ele o mais mágico dos espelhos. Assim como lhe revelara o aspecto exterior do seu corpo, assim lhe revelaria a intimidade da sua alma. E, quando sobre o retrato caísse o inverno, ele continuaria gozando os esplendores da primavera e do verão.

Quando do rosto do retrato se houvesse esvaído todo o sangue, deixando atrás de si uma lívida máscara de giz com olhos plúmbeos, ele conservaria o fulgor radioso da adolescência. Não murcharia nem uma só flor da sua beleza. Não afrouxaria uma só pulsação da sua vida. Semelhantemente aos deuses dos Gregos, seria forte, leve e ledo. Que importava o que acontecesse à imagem pintada na tela? Ele ficaria indemne. Era tudo.

Sorriu, colocou de novo o biombo em frente do retrato e dirigiu-se para o quarto de dormir, onde já o esperava o criado. Uma hora depois achava-se na Ópera. Sobre a sua cadeira apoiava-se Lord Henry.»

in WILDE, Oscar, O Retrato de Dorian Gray, «Colecção Ficções», 3.ª edição, Editorial Estampa

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