Meias de vidro

in www.tumblr.com (via Pinterest, Airem Widiamurni)

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Estava a tomar duche, quando ouviu o barulho do que lhe pareceu um serviço inteiro de jantar a cair no chão. Não foi preciso muito tempo para perceber, ainda sem ter visto o estrago, que tinha sido o gato a fazer das suas. Enrolada na toalha, correu no sentido do barulho que tinha ouvido – o quarto. E eis que ali estava o que já havia antecipado: o gato tinha derrubado as suas meias de vidro. E, agora, o que iria vestir? Eram as últimas! O autor do desastre encontrava-se à janela a observar um gafanhoto que, na varanda, não tardaria a saltar para o vazio. Lambia-se lentamente, como fazem os gatos, tomando o seu próprio banho; passou uma pata pelo focinho, como que para parar uma súbita comichão no nariz.

Lembrou-se de procurar na caixa de cartão, no canto do quarto, outras meias; hoje, teria de se contentar com umas de musse. Mas não, dentro da caixa, já só havia dois guarda-chuvas de chocolate, que decidiu não comer, ainda que lhe apetecesse. Com os nervos em franja, e ainda sem saber como iria sair de casa sem meias, tomou um comprimido para lhe aliviar a dor de cabeça…

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