Olha para o negro dos meus olhos.

Fotografia in www.dancamacho.com, via Pinterest (Brianna Farrell)

Fotografia in www.dancamacho.com, via Pinterest (Brianna Farrell)

Olha para o negro dos meus olhos. Tens coragem, ainda assim, de me deixar? Não tens vontade de voltar a sentir o que outrora nos arrepiou a pele?

Continuas, insistentemente, a tirar a tua roupa de dentro das gavetas; retiras dos cabides as tuas camisas, reduzindo-os a retorcidos fios de arame pendendo num armário que se vai enchendo de vazio.

Pareces não ouvir os meus passos atrás dos teus, tentando, desesperadamente, apagar o caminho que constroem até à saída da minha vida. Peço-te que pares, mas dizes que não podes; que não consegues; que é impossível parar o que já aconteceu. E, quando bates com a porta, penso que, porventura, enquanto esperas pelo elevador, te possas arrepender e regresses. Porque, se o negro dos meus olhos não te travou, talvez o consiga o vermelho que agora os faz arder.

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