Dou a palavra…

a Laura Esquivel. Em Como Água para Chocolate conta-se, recorrendo ao contexto da culinária mexicana, uma história de amor. Nesta passagem, retirada de um capítulo em que se cozinha «Codornizes em Pétalas de Rosas», a comida faz muito mais do que saciar a fome…

                «Mas era inútil, algo estranho lhe acontecia. Procurou encontrar apoio em Tita, mas ela estava ausente, o corpo estava em cima da cadeira, sentada, e muito correctamente, é verdade, mas não havia qualquer sinal de vida nos seus olhos. Até parecia que num estranho fenómeno de alquimia o seu ser se tinha dissolvido no molho das rosas, no corpo das codornizes, no vinho e em cada um dos odores da comida. Penetrava assim no corpo de Pedro, de forma voluptuosa, aromática, quente, completamente sensual.»

in ESQUIVEL, Laura, Como Água para Chocolate, 26.ª edição, Porto, Edições ASA, 2004

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