Dou a palavra…

a Michael Ondaatje, na obra O Doente Inglês, numa passagem que surge a propósito dos ventos… Leiam o resto, que não se irão arrepender.

«Há sempre milhões de toneladas de poeira no ar, tal como há milhões de partículas de ar na terra e mais seres vivos debaixo do solo (minhocas, larvas, criaturas subterrâneas) do que a pastar e a viver sobre ele. Heródoto relata a morte de vários exércitos tragados pelo simoon, e que nunca mais tornaram a ser vistos. Certa nação “tão irada ficou com este vento diabólico que lhe declarou guerra e marchou contra ele em boa ordem de batalha, para logo ficar repentina e completamente sepultada”.
Tempestades de poeira sob três formas. O turbilhão. A coluna. O lençol. Na primeira perde-se o horizonte. Na segunda é-se rodeado por “génios dançarinos”. A terceira, o lençol, é “cor de cobre. A natureza parece ficar toda em chamas”.»

in ONDAATJE, Michael, O Doente Inglês, «Ficção Universal», Publicações Dom Quixote, Lisboa, 1996, página 29

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