Dou a palavra…

a Luis Cernuda. Seguir o nosso caminho, sempre.

Peregrino

Regressar? Regresse o que sentir
Após longos anos e uma longa viagem,
Cansaço do caminho e a cobiça
De sua terra, sua casa, seus amigos,
Do amor que, ao regressar, o espere, fiel.

Mas tu? Voltar? Não penses regressar,
Mas continuar livre, para a frente,
Disponível para sempre, moço ou velho,
Sem filho que te busque, como a Ulisses,
Sem Ítaca à espera e sem Penélope.

Continua, continua e não regresses,
Fiel até ao fim do caminho e de tua vida,
Não sintas a falta de um destino mais fácil,
Teus pés sobre a terra nunca antes pisada,
Teus olhos enfrentando o jamais visto.

Luis Cernuda (1902 – 1963) in Antologia da Poesia Espanhola Contemporânea (seleção e tradução de José Bento), in poemário Assírio & Alvim 1998, Assírio & Alvim, Lisboa, 1998

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *