Dou a palavra a…

Safo (625 – 580 a.C.).

Semelhante aos deuses me parece
o homem que diante de ti se senta
e, tão doce, a tua voz escuta,

ou amoroso riso — que tanto agita
meu coração de súbito, pois basta ver-te
para que nem atine com o que diga,

ou a língua se me torne inerte.
Um subtil fogo me arrepia a pele,
deixam de ver meus olhos, zunem meus ouvidos,

o suor inunda-me o corpo de frio,
e tremendo toda, mais verde que as ervas,
julgo que a morte não pode tardar.

[…]

in Rosa do Mundo — 2001 Poemas para o Futuro (tradução de Eugénio de Andrade), in Poemário Assírio & Alvim 2004, Assírio & Alvim, Lisboa, 2004

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