Dou a palavra…

a Herberto Helder.

Se se pudesse, se um insecto exímio pudesse,
com o seu nome do princípio,
entrar numa turquesa, monstruosa pela amplitude
da cor e do exemplo,
se até ao coração da pedra e dele mesmo
devorasse a matéria exaltada,
por si e por ela e pelo nome primeiro ficaria
vivo: profundamente
num único nó de corpo,
e brilharia até se consumir
de si, todo — e a terra, suportaria ela
o poema disso?

HELDER, Herberto, Poesia Toda (1930) in poemário Assírio & Alvim 1998, 1998

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