Desta vez, um conto de Natal!

Ilustração de Iwona Cala, em http://www.coroflot.com/cala/illustrations-fo-children-books

Ilustração de Iwona Cala, em http://www.coroflot.com/cala/illustrations-fo-children-books

Agradeço a oportunidade que a escola da minha filha, Estrela do Mar, me deu de poder contribuir para a festa de Natal das crianças. Escrevi este conto, inspirado no que aconteceu nas semanas que antecederam o dia de ontem.

Lembro que também me podem encomendar os vossos contos de Natal para oferecer na noite que se quer a mais ternurenta do ano!

 

Era uma vez uma escola de onde se conseguia cheirar o mar. Todavia, nas últimas semanas, o aroma do oceano era acompanhado de um outro, que tão bem conheciam: o aroma do Natal! Os sinais que o anunciavam não deixavam qualquer dúvida. Vejamos, primeiro, o Dia, cansado do longo verão, ia embora mais cedo e, por essa razão, a sua colega, a Noite, chegava antes; depois, chegou o Frio, sempre mal disposto e rabugento, que, acompanhado pelos seus grandes amigos, a Chuva e o Vento, logo obrigou todos a vestirem os seus casacos mais quentinhos; finalmente, o maior e mais esperado sinal apareceu uma manhã quando já todos estavam prontos para começar o seu dia de escola: fazendo grande alarido, tocou à campainha a adorável Dona Festa!

Começou rapidamente os preparativos para a celebração mais importante do ano. Distribuiu tarefas pelos meninos; uns cantam, outros dançam, outros ainda representam uma peça de teatro. Com a ajuda de todos, Dona Festa tinha conseguido organizar um espetáculo de sonho!

Porém, na escola de onde se conseguia cheirar o mar, nem todos estavam tão felizes como a Dona Festa e os seus meninos. Na verdade, a Senhora Varicela já tinha um plano que acabaria com as gargalhadas das crianças. Pequenas borbulhas, inchadas e irrequietas, em pouco tempo encheram as crianças de comichão e todos de preocupação.

A Dona Festa voltara a organizar as tarefas de todos, mas, quando os problemas já pareciam resolvidos, logo a Senhora Varicela fazia das suas e, zás!, tudo se virava de pernas para o ar… A Dona Festa já começava a desanimar e chegou mesmo a temer que fosse este o ano em que, pela primeira vez, a escola de onde se conseguia cheirar o mar não tivesse o seu espetáculo de Natal.

Quando soube deste desânimo geral, o Senhor Entusiasmo não pôde esperar mais. Correu para a escola e, sem hesitar, lembrou a todos a importância do que estavam a preparar.

– Mas, Senhor Entusiasmo, tínhamos um grande palco, com muitas luzes e inúmeros adornos. Agora, com tantas crianças em casa por causa da Senhora Varicela, não podemos fazer o que tínhamos planeado – disse a Dona Festa, com os olhos cheios de lágrimas.

– É verdade, Dona Festa, não conseguimos fazer algo tão grandioso como tinha pensado, mas um bom espetáculo não tem de ser grande, tem de ser verdadeiro. O espírito do Natal está no que é feito com amor, seja grande ou pequeno – disse o Senhor Entusiasmo.

A Dona Festa voltou a sorrir. A sua imaginação já voava outra vez. Ia e vinha, falava com todos e ouvia o que tinham para lhe dizer. Todos colaboravam: o Senhor Empenho deu uma ajuda, a Senhora Determinação passou por lá, tal como a Dona Amizade.

No dia assinalado, à hora marcada, tudo estava pronto. A Dona Festa estava radiante, olhando para as crianças, felizes. A Senhora Varicela não tinha ganhado e não fora este o ano em que não houvera festa de Natal. Tal como dissera o Senhor Entusiasmo, interessava mais a verdade com que fazemos alguma coisa do que o seu tamanho.

Que o Natal esteja em vós!

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