O Euromilhões.

Her mind & the sea de Rachel Sierra in https://www.etsy.com

Her mind & the sea de Rachel Sierra in https://www.etsy.com

Já sabem que a Letras num Papel escreve histórias, tantas quantas vocês desejarem, sobre o tema que quiserem. Hoje, imaginemos como seria ganhar o Euromilhões e, acreditem, que dá uma boa história… Encomendem a vossa, contactando a Letras num Papel!

«13, 22, 36, 39…» Catarina não queria acreditar. Olhava atónita para o boletim que segurava nas mãos enquanto ouvia os números. Estavam todos naquele quadradinho que a sua neta lhe tinha preenchido, à pressa, na terça-feira passada. A porta da rua bateu. «Então, ‘vó? Ganhaste alguma coisinha?» «Acho que ganhei… tudo!» A rapariga ficou branca. «A sério?!»

Dois meses passados, foram a Lisboa levantar o prémio. A cifra era imensa. Tantos milhões. O que faria com tanto dinheiro? «Vamos, ‘vó?» «Sim, vamos… É agora que passamos por lá?» «Sim, ‘vó, vamos lá agora.»

Dentro do carro, apreciava as pessoas nos passeios, nas suas vidas, sem imaginarem sequer que a dela tinha levado aquele tremendo abanão. Tinha pedido à neta que a levasse ao mar. Em tantos anos de vida nunca tivera tempo de apreciar o oceano com calma, de o cheirar, de lhe sentir o frio da água e do sal misturados. Fora o único desejo de nova-rica que apresentara: «levem-me ao mar».

Demorou-se, na areia, sentada. Era outono, mas o sol assomava com força suficiente para estar confortável. Antes, tinha ido, um pouco a medo, ao pé da rebentação das ondas. Molhou os pés, as mãos, a cara. Encharcou a alma de água salgada e deixou-se estar a vê-la no seu ir e vir infinito. Era milionária. Agora, já velha, era milionária. O que pensaria o seu João disso, se fosse vivo?

«Então, ti Catrina, anda a caiar?» «Tem de ser, tem de ser…» Era verão. Catarina, como fazia todos os verões, caiava as paredes. Todos se admiravam de nada ter mudado na sua vida. Teria renegado o dinheiro? «Com aquele feitio? Essa é que era boa! Ná!…» Catarina fingia que não ouvia. O dinheiro, ela e os seus sabiam onde estava e isso bastava, se precisassem… E lembrava-se da frescura do mar.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *